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Notícias do Conselho

Hepatite B: Estufa ou Autoclave?

A cavidade oral apresenta uma grande variedade microbiana, sendo o sulco gengival o local mais densamente colonizado. Acima de 300 espécies são encontradas dentre protozoários, fungos e principalmente, bactérias do gênero estreptococos, estafilococos, difteróides, lactobacilos, espiroquetes, Neisserias e Moraxella.

Essa variedade de microorganismos pode originar o aparecimento de variadas lesões em outros lugares do organismo, ou ainda em casos especiais, provocar doenças sistêmicas. Alguns agentes etiológicos, pelo seu potencial contaminante, podem propiciar infecções cruzadas devido ao trânsito de microorganismos entre paciente-profissional-paciente e/ou paciente-instrumental-paciente.

Quando observamos a natureza dos procedimentos em uma consulta de rotina odontológica, notamos a extrema facilidade com que as manobras do cirurgião-dentista podem causar pequenos sangramentos nos tecidos moles da boca. Independente disso, não raro observamos sangramentos espontâneos que podem ocorrer em processos patológicos. Se atentarmos a esses fatos, levando ainda em conta o rico meio de cultura e transporte de microorganismos que o sangue apresenta, percebemos que o dentista trabalha em uma cavidade que oferece naturalmente um risco de contaminação muito grande, e é da mesma magnitude a possibilidade de transporte acidental desse substrato infeccioso para lugares aonde não seja desejado.

Prevenir e controlar a infecção cruzada no consultório odontológico é hoje exigência e direito do cliente e sobretudo, uma declaração de respeito à equipe de trabalho. Desta forma é essencial que haja conscientização para que aconteçam mudanças na conduta dos profissionais, levando-os a adotarem medidas mínimas de segurança para todos os clientes atendidos e em todas as ocasiões de tratamento, como forma de impedir que a própria equipe de saúde atue como vetor na propagação de infecções, colocando em risco a sua saúde, a da equipe auxiliar e da comunidade.

Segundo Wall, (1989) é necessário conhecer as técnicas de controle de infecção, pois não se pode identificar todos os portadores potenciais do vírus HIV. Um risco similar, porém, muito maior, se aplica aos portadores do vírus da hepatite B, pois, um dentista que atende vinte pacientes ao dia, terá atendido a cada sete dias um portador de hepatite B. Considerando-se os atuais níveis de prevalência das doenças nos países desenvolvidos, a cada sete dias o dentista atende também pelo menos dois pacientes com infecção herpética e um número desconhecido de pacientes HIV positivo.

Entre as doenças infecto-contagiosas, a hepatite B é a que causa o maior número de mortes e interrupções da prática clínica pelos dentistas, sendo fundamental se recorrer às imunizações antes da vida profissional.

O vírus da hepatite B é resistente, chegando a sobreviver sete dias no ambiente externo em condições normais e com risco de, se entrar em contato com sangue através da picada de agulha, corte ou machucados (incluindo procedimentos com instrumentos contaminados), levar a infecção em 5% a 40% das pessoas não vacinadas, risco maior que o observado para o vírus da hepatite C - 3% a 10% - ou o do HIV – 0,2% a 0,5%.

O fluxo de processamento de artigos recomendado no Manual de Serviços Odontológicos Prevenção e Controle de Riscos, da ANVISA, estabelecem as seguintes etapas: Artigo sujo – Exposição ao agente de limpeza – Enxágüe – Secagem – Barreira Física – Inspeção Visual – Preparo e Embalagem – Desinfecção/Esterilização – Armazenamento.

A descontaminação prévia com desinfetantes químicos ainda é utilizada por alguns estabelecimentos. A utilização de desinfetantes químicos como o glutaraldeído, formaldeído, hipoclorito de sódio, não tem fundamentação apesar de serem largamente utilizados. Embora reduza consideravelmente o número de microorganismos, a descontaminação prévia com estes produtos não remove a sujeira do material, exigindo uma segunda etapa no processo de descontaminação, que é a limpeza através da ação mecânica com água e sabão, que se mostra eficaz e é realizada em um único momento.

Na odontologia, os processos de esterilização indicados são: físicos, que utilizam o vapor saturado sob pressão – autoclave; e os químicos, que utilizam soluções de glutaraldeído a 2% e de ácido peracético a 0,2%. Para a esterilização dos materiais termoresistentes, não resta dúvida que o calor úmido na forma de vapor saturado sob pressão, é o mais seguro, eficiente, rápido e econômico. Entretanto, o método de esterilização, de uso mais difundido entre os dentistas brasileiros, é o do calor seco em estufas elétricas equipadas com termostato. Ao contrário, este método é lento, irregular, requer longos períodos de exposição a temperaturas muito elevadas e exige cuidados específicos. O vírus da hepatite B, alvo da preocupação na prática odontológica, mostra-se extremamente resistente ao calor seco, por isso, recomendam-se aos profissionais que somente usem este método quando não houver a disponibilidade de autoclaves. A constatação dessa resistência norteou a determinação de parâmetros mais rígidos para a esterilização de artigos por este método.

Tendo em vista que a nossa região é considerada endêmica no que se refere ao vírus da hepatite B, o Conselho Regional de Odontologia do Acre mostra-se preocupado diante esta situação e apóia e incentiva a substituição do uso de estufas por autoclaves nos consultórios odontológicos do nosso estado.

 
 
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