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Artigo Científico

Tratamento Endodôntico de 1° Pré-molar Inferior Birradicular – Caso Clínico

Télio W.F. Coelho *

Introdução:

O conhecimento da anatomia interna dental e suas variações são de suma importância para o sucesso do tratamento endodôntico. Dentes que são portadores de uma raiz e, conseqüentemente um canal, podem exibir variações nesse número, o que torna o tratamento endodôntico complicado. Deixando de tratar um desses canais poderá ocorrer o aparecimento de uma lesão ou sua perpetuação. Neste grupo inclui-se o pré-molar inferior.

Sempre que essa anomalia se apresenta, ela é determinada por um achatamento da raiz no sentido mesiodistal, isto implica que um exame detalhado da radiografia permitirá detectar sua presença.

Segundo Bramante e Berbet, alguns sinais radiográficos podem levar a suspeitar-se da presença de raízes e/ou canais extras. São eles:

Descentralização da imagem radiolúcidas representativa do canal radicular;

Desproporção entre o tamanho da imagem do canal e da raiz quando observada no diâmetro mesiodistal;

Estreitamento abrupto da imagem do canal em um dos níveis da raiz;

Dificuldade em visualizar a imagem do canal em toda sua extensão;

Presença de linhas radiolúcidas longitudinais dispostas lateralmente em um ou dois lados da raiz;

Imagem de duplo ou tríplice ápice.

Caso Clínico:

Paciente do sexo feminino com 36 anos de idade foi encaminhada para avaliação do elemento 44. A mesma relatava dor espontânea e localizada no dente em questão. Ao exame radiográfico inicial, verifica-se grande probabilidade de presença de duas raízes e dois canais. A abertura coronária foi feita com ampliação para o lado que se suspeitava estar o outro canal. Devido a dificuldade de localizar este canal foi utilizado uma broca esférica em baixa rotação (broca LA) para remover os depósitos dentários que obstruíam a entrada deste canal. A odontometria foi feita com localizador apical (Root ZX J Morita) e o preparo dos canais feito pela técnica mista investida, auxiliado por um sistema oscilatório. A irrigação foi feita com soro fisiológico, e a obturação com cimento sealapex, pela técnica da condensação lateral.

Conclusão:

É de suma importância um planejamento prévio da endondontia a ser realizada em um elemento dentário. Esse planejamento se dá pelo exame radiográfico e conhecimento interno da anatomia dental. Em caso de suspeita da presença de mais raízes e canais, tomadas radiográficas nos sentidos mesial e distal devem ser feitas para auxiliar esta localização, uma vez que um canal não tratado pode ocasionar na formação de uma lesão, ou na sua não regressão como também na continuação da dor.

Referências:

Bramante, CM.; Berbet, A.; Moraes, IG.; Bernardineli, N.; Garcia, RB. Acidentes e Complicações no Trabalho Endodôntico. Soluções Clínicas. 2a.ed, São Paulo: Ed. Santos, 2004.

Bramant, CM.; Berbet, A. – Recursos Radiográficos na diagnóstico e no Tratamento Endodôntico. 3.ed. São Paulo: Pancast, 2002.

Michelotto AL, Silva Jr. Jada, Silva CR de C. Tratamento endodôntico de Um Pré-molar Superior Triradicular: Caso Clínico. J. Brás Endod 2004; S (16):63-6.

* Especialista em Endodontia, graduado pela Unifenas - Alfenas

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