Álvaro Luiz do Nazareth *
Quando planejamos um caso clínico em ortodontia pode-se haver a necessidade de realizar extrações e normalmente optamos por extrair o dente próximo do problema. Em apinhamento ântero-inferior os elementos escolhidos são os primeiros pré-molares.
A extração de incisivo inferior em casos bem selecionados e com correta indicação pode ser considerada como uma rápida e excelente opção terapêutica. O objetivo deste trabalho é orientar o ortodontista no sentido de observar as diversas variáveis antes de optar por esta terapia. Assim, em planejamento ortodôntico antes da decisão por extração, alguns critérios deverão ser observados com risco de se provocar algumas conseqüências indesejadas e efeitos colaterais, como por exemplo, sérios prejuízos ao perfil.
Indicações
Em má oclusão de classe I, sendo esta a principal indicação para essa terapia;
Paciente adulto ou com mínimo potencial de crescimento;
Classe I com biprotrusão e moderado apinhamento ântero-inferior com pequeno ou nenhum apinhamento superior;
Classe II suave;
Classe III moderada;
Perfil aceitável;
Mínimo potencial de crescimento;
Agenesia do incisivo lateral superior do mesmo lado;
Mal formação ou alguma patologia envolvendo o dente.
Erupção ectópia do incisivo inferior;
Retração gengival no incisivo inferior;
Compressão dos septos interincisivos ameaçados por uma destruição óssea periodontal;
Distância inter-canina ideal e necessidade de sua manutenção( principalmente para a estabilidade pós-tratamento).
Contra-Indicações
Pacientes com grande potencial de crescimento
Overjet severo;
Apinhamento superior e inferior;
Discrepância de Bolton com incisivos inferiores pequenos;
Overbite exagerado;
Pacientes braquifaciais;
Guia de caninos alterada
Vantagens
Segundo Grob (1995) apresenta as seguintes vantagens:
Correção da discrepância da linha média maxilar
Promove um melhor alinhamento para uma melhor estética, função e higiene;
Para Moore (2000) apresenta as seguintes vantagens:
Mantém a oclusão posterior não ocasionando efeitos colaterais;
Minimiza a movimentação dentária;
Diminui o tempo de tratamento;
Promove uma melhor estabilidade dos incisivos.
Para Lorsirisipar & Kitsahawong ( 2001) as vantagens são as seguintes:
Reduz as mudanças do perfil;
Diminui o número de dentes a serem extraídos;
A mecânica fica mais simplificada;
Minimiza bastante os problemas com a ancoragem;
Desvantagens
Segundo Canut (1997) e Faeroving& Zachrison (1999):
Existe um pequeno problema com relação à finalização, devido à ausência de linha média inferior, o que deve ser comentado com o paciente no início do tratamento, e que não vai comprometer com a estética final;
Pode ocorrer aumento do Overjet e overbite;
Existe uma pequena possibilidade de mesialização dos caninos inferiores, o que pode comprometer os movimentos de lateralidade;
Perda antiestética da papila onde os incisivos possuem forma triangular, nestes casos a forma mais correta de tratamento seria o “stripping” dos incisivos inferiores.
Algumas possibilidades de reabertura do espaço, com um desagradável diastema anterior, o que pode ser evitado monitorando o paralelismo radicular ao final do tratamento.
Considerações clínicas:
A Análise de Bolton é fundamental para que possamos avaliar e planejar o caso.
É necessário que, para cada caso onde se pretende solicitar a extração de um incisivo inferior como parte da terapia ortodôntica seja realizado um criterioso set up de diagnóstico (Braga,Miller e Riedel);
Segundo Faeroving e Kokisch, a avaliação anatômica da coroa dos incisivos inferiores é fundamental. Apinhamentos leves a moderados de incisivos com a coroa de formato triangular podem ser melhor resolvidos através desgastes interproximais.
A manutenção da distância intercaninos normal com a extração de incisivos é um ponto importante a ser observado, o que é mais vantajoso quando comparado a extração de pré-molares e está muito relacionada à estabilidade pós-tratamento.
A literatura tem mostrado (Riedel) que tratamentos ortodônticos sem extração, em casos com severo apinhamento dentário ântero-inferior, normalmente ocorre recidiva;
Em pacientes com graves apinhamentos no arco inferior, a extração de um ou mais incisivo inferior deveria ser tomada como alternativa lógica para aumentar a estabilidade da região ântero-inferior sem a necessidade de uso de contenção permanente sugeriram Joondeph e Riedel.
Conclusões:
Sendo assim, a extração de um incisivo inferior pode ser uma opção terapêutica muito eficaz em se tratando de paciente com maloclusão em classe I e principalmente quando ocorrer desproporção dentária entre a arcada superior e inferior ou excesso ântero-inferior o que poderemos observar através da Análise de Bolton. Várias opções de tratamento existem na literatura para a correção de apinhamentos ântero-inferiores, entre eles, distalização de dentes posteriores, expansão de arco, avanço de incisivos, stripping, extração de pré-molares e até mesmo extração de incisivos inferiores, porém, devemos optar pela técnica que está perfeitamente em sintonia com nossa capacidade científica, e que após individualizarmos cada caso é a que mais se identifica com ele. Apesar das várias vantagens de um planejamento de correção ortodôntica através de extração de incisivo inferior devemos ter muito critério e cautela, principalmente bom senso ao avaliarmos o caso. Devemos lembrar que extração é um procedimento irreversível e como tal antes de optarmos por ela devemos estar cientes do que estamos fazendo e seguros do que conseguiremos após o resultado final.
Referências Bibliográficas:
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MILLER, R. J.; DUONG, T.T.; DERAKHSHAN, M. Lower incisor extraction treatment with the invisalign system. J Clin Orthod, Boulder,v. 36,no.2,p. 95-102, Feb.2002.
PINTO, M.R.; MOTTIN L.P.;DERECH C.D.; ARAÚJO MT.S. Extraão de incisivo inferior: uma opção de tratamento. R. Dental Press Ortodon Ortop. Facial, Maringá , v.11,n.1.p.114-121, jan./fev.2006.
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* Álvaro Luiz do Nazareth é Especialista Ortodontia e Ortopedia |